Por trás da Deu Negócio, existe alguém querendo encontrar a própria voz

PASSADO
Essa foto é de 7 anos atrás mais ou menos. Ela foi tirada dentro de um abrigo de cães que eu e minha esposa, Maria Luiza, ajudávamos voluntáriamente aos domingos. Chamávamos essa cachorrinha de Oreia, mas o verdadeiro vulgo dela era Tina. Lembrança boa…
FUTURO
Depois de mais de quatro meses publicando shorts todos os dias, sem falhar, passei meu primeiro final de semana sem postar. Foram dois dias. Parece pouco, mas, quando você se acostuma a produzir diariamente, uma pausa dessas vem acompanhada de um monte de perguntas.

Olhei os números, percebi o alcance cair e senti aquela aflição: será que não posso nem descansar? Não sei quanto dessa queda veio da falta de vídeos novos ou de outros fatores. Sei como me senti ao vê-la: preocupado em perder, num final de semana, o espaço que levei meses para conquistar.
Hoje estou em várias frentes, cada uma com suas alegrias e frustrações. No YouTube, tenho uma média de 2000 mil visualizações por dia. É muita gente.

Tenho consciência disso e sou grato por ter conseguido monetizar meu trabalho ali.
No TikTok, também consegui monetizar, mas parei de publicar os reacts porque meus vídeos passaram a ser apontados como cópias. Isso me chateia demais. Quem acompanha o processo sabe que existe trabalho: seleção de cenas, cortes, comentários, efeitos e edição. Ver tudo isso tratado como simples reprodução é frustrante, mesmo reconhecendo que as imagens de origem não são minhas.
O Facebook, com 20 mil seguidores, ainda não me monetizou. O Instagram me dá alegria porque entrega meus vídeos e permite que muita gente conheça a Deu Negócio. Já o Blog do Carro trouxe outra decepção: a monetização foi recusada sob a justificativa de conteúdo de baixa qualidade. Depois de tanta dedicação, é difícil ler aquilo sem desanimar.

Juntando tudo, comecei a pensar no rumo desse projeto. As dificuldades com as plataformas pesam, claro. Mas existe uma pergunta que continuaria aqui mesmo se todas elas estivessem pagando: até quando quero depender dos vídeos de outra pessoa para ter o que publicar?
Tenho muita gratidão pelo pastor Evandro. Foi trabalhando com seus vídeos que consegui monetizar o YouTube e o TikTok, alcançar tanta gente e desenvolver minha edição. Não quero diminuir essa história. Ela faz parte do que construí e sempre fará.
Ao mesmo tempo, tenho vontade de criar algo meu. Um conteúdo que comece numa ideia minha, passe pelo meu roteiro e chegue ao público pela minha maneira de contar. Quero ter a liberdade de escolher um assunto porque tenho algo a dizer sobre ele.
Minha vontade sempre foi ser um comunicador. Falar sobre notícias, acontecimentos da internet e histórias que despertam curiosidade. Gosto da ideia de apresentar um caso, explicar o contexto e conversar com quem está assistindo. É uma vontade que agora estou levando mais a sério.


Só que surge a dúvida: conteúdo de quê? Construí minhas redes em torno de um universo específico. As pessoas chegaram pelas negociações, pelos carros, pelo pastor e pelos meus reacts. Preciso considerar essa expectativa.
Não seria razoável mudar tudo de repente e esperar que todos tivessem o mesmo interesse pelos novos assuntos.
Por isso, decidi começar uma transição gradual. Posso experimentar conteúdos autorais próximos desse universo, descobrir quais assuntos gosto de apresentar e observar a resposta do público. Os reacts ainda terão espaço enquanto vou aprendendo a conduzir vídeos que não dependam deles.
Existe também uma questão pessoal nisso tudo: muita gente conhece meu rosto, mas não sabe meu nome. Para boa parte do público, sou “o carinha da Deu Negócio que faz react do pastor Evandro”. Fico feliz por ser reconhecido, mas gostaria que, aos poucos, as pessoas conhecessem melhor quem está ali.
Ultimamente tenho aparecido maior nos vídeos. E uma experiência me deu coragem para continuar: gravei um vídeo chamado “Notícia triste”, explicando por que não estava conseguindo continuar com as postagens no TikTok. Falei da minha dificuldade, da minha frustração e do que estava acontecendo.

O vídeo chegou a 90 mil visualizações. Recebi mensagens de apoio, gente me dando força, pessoas demonstrando que se importavam. Cara, aquilo me deixou muito feliz. Naquele momento, percebi que havia gente disposta a me ouvir falando da minha própria experiência.
Não sei se essa atenção vai se repetir em outros temas. Um vídeo não responde a todas as dúvidas. Mas aquela reação me deu um motivo para tentar, principalmente porque me mostrou um vínculo que eu ainda não sabia medir olhando apenas as visualizações dos reacts.
Mesmo assim, tenho medo do que o público vai falar. Medo de acharem ruim, de pedirem que eu volte ao formato antigo ou de simplesmente perderem o interesse. Minha primeira reação é pensar que eu não deveria me importar. Só que eu me importo. Existe dedicação demais nesse projeto para fingir indiferença.
Quero aprender a ouvir críticas sem deixar que a possibilidade de recebê-las decida tudo por mim. Algumas podem ajudar a melhorar. Outras vão mostrar apenas que determinado conteúdo não agradou a alguém. Vou precisar lidar com isso enquanto descubro meu jeito de apresentar.
Também preciso rever a cobrança de produzir sem parar. Quero continuar trabalhando, mas quero conseguir descansar sem sentir que estou colocando tudo a perder. Se a mudança de formato vier acompanhada de ainda mais horas de edição e preocupação, vou continuar carregando o mesmo desgaste.
Ainda tenho vídeos programados para os próximos dois dias. Vou aproveitar esse intervalo para pensar nos primeiros conteúdos autorais, sem anunciar uma despedida definitiva nem prometer uma transformação imediata. Quero dar espaço para essa experiência acontecer de verdade.
Continuo grato pelo caminho que me trouxe até aqui. E começo essa nova etapa com medo, curiosidade e vontade de aprender. Aos poucos, quero que quem acompanha a Deu Negócio também conheça meu nome, minhas ideias e o comunicador que estou tentando me tornar.
