TROCAR UM HONDA CIVIC NUM JEEP COMPASS: CORAGEM?

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Eu tenho certeza absoluta de que muita — mas muita gente mesmo — vai dizer que eu sou louco. Porém, antes que comecem as pedradas, preciso confessar uma coisa: sou apaixonado pelo visual do Jeep Compass. Podem dizer o que quiserem. Que tem “motor de Palio”, que não é um Jeep de verdade, que isso, que aquilo… Mas uma coisa não dá para negar: o sapão é bonito demais. Principalmente nesse azul-marinho, que deixa o jepão ainda mais imponente.

Bom, tirando de lado o meu crush pelo Compass, vamos analisar essa negociação com os olhos do mercado — porque beleza chama atenção, mas é o histórico do carro que pode transformar um sonho em bom negócio ou em uma enorme dor de cabeça.

Trocar um Honda Civic 2.0 por um Jeep Compass já exige certa coragem. Estamos falando de sair de um sedã conhecido pela confiabilidade, pela boa mecânica e pela forte aceitação no mercado para entrar em um SUV mais desejado, mais espaçoso e com uma presença que realmente chama atenção, mas que também pode trazer custos maiores e algumas surpresas pelo caminho.

Nessa negociação, porém, parece que a vontade de realizar essa troca nem partiu totalmente do proprietário. Quem bateu o olho no Compass azul-marinho e se apaixonou foi a esposa dele. E nós sabemos como funciona: quando o carro conquista alguém pelo visual, a razão precisa trabalhar dobrado para não deixar a emoção fechar o negócio sozinha.

Reprodução – Ladrão de Carros – Google imagens

Só que havia um detalhe importantíssimo nessa história: aquele Compass possuía um acionamento de seguro relacionado a roubo. E é justamente aí que a negociação começa a ficar interessante.

O veículo foi recuperado? Esse histórico aparece no documento? Ele perde valor no mercado? Pode trazer problemas com seguro, financiamento ou revenda? E, considerando tudo isso, será que trocar o Civic naquele Compass realmente valeu a pena?

É isso que nós vamos entender agora.

RECUPERADO

Confesso que não entendo praticamente nada sobre acionamento de seguro e as marcações que isso possivelmente implica no documento de um carro. Nessa negociação, foi comentado rapidamente que o Compass havia sido roubado, recuperado no mesmo dia e que ocorreu apenas o acionamento do seguro. Por isso, fiquei com uma dúvida: mesmo tendo sido encontrado tão rápido e aparentemente sem grandes danos, será que esse histórico deixa alguma marca permanente no documento?

Reprodução – CRLV – Google Imagens

Pelo que pesquisei, o simples registro do roubo ou acionamento do seguro não faz o veículo receber automaticamente a observação de “sinistrado” no CRLV. Durante o desaparecimento, é incluída uma restrição de roubo ou furto no Renavam, que deve ser retirada depois da recuperação e da regularização do carro. A marcação permanente costuma ocorrer quando o veículo apresenta danos classificados como média monta; nesse caso, o documento passa a exibir “Sinistrado” ou “DMM”. Portanto, se aquele Compass realmente foi recuperado no mesmo dia e não sofreu danos estruturais relevantes, provavelmente não ficou nenhuma marca desse tipo no documento. Ainda assim, a ocorrência pode permanecer registrada em boletins policiais, bases de seguradoras e consultas particulares de histórico veicular — algo que merece atenção antes de fechar qualquer negócio.

CIVICÃO 14

Do outro lado dessa troca estava um Honda Civic 2014 2.0, com apenas 92 mil quilômetros rodados e valor de tabela próximo dos R$ 71 mil. Para um carro com mais de dez anos de uso, essa quilometragem é relativamente baixa — desde que, obviamente, possa ser comprovada pelo histórico de revisões e pelo estado geral do veículo.

Reprodução – Honda Civic LXR 2014 – Google Imagens

O Civicão dessa geração é equipado com motor 2.0 flex, conhecido pela boa confiabilidade e pelo desempenho honesto. Não é nenhum foguete, mas entrega força suficiente para o uso diário e trabalha muito bem em conjunto com o câmbio automático. Além disso, oferece boa estabilidade, posição de dirigir confortável, espaço interno adequado e uma revenda fortíssima. Um Civic bem cuidado dificilmente fica muito tempo anunciado.

Entre os pontos positivos estão justamente a confiabilidade mecânica, o conforto, a dirigibilidade e a facilidade de encontrar peças. Também pesa a favor o fato de ser um carro já bastante conhecido pelos mecânicos brasileiros.

Frentista feliz ao ver você chegar de Civic 2.0 – Google Imagens

Mas ele não é perfeito. O Civic possui suspensão relativamente baixa, raspa com facilidade em valetas e pode apresentar desgaste em buchas, coxins e componentes da suspensão. O isolamento acústico também não é dos melhores, enquanto o consumo urbano do motor 2.0 pode assustar quem estiver esperando economia de carro popular. Seguro, pneus e algumas peças de acabamento também não costumam ser baratos. Em uma breve pesquisa, li que 2.0 faz entre 9,4 km/l e 10,6 km/l na cidade com gasolina e entre 12,8 km/l e 13,9 km/l na estrada.

Ainda assim, um Civic 2014 com 92 mil quilômetros e bom histórico é praticamente dinheiro na mão. Por isso, trocá-lo em um Compass com acionamento de seguro exigia bastante atenção — e uma proposta realmente convincente.

No fim das contas, eu provavelmente faria essa troca pela beleza, porque, como já confessei, o sapão mexe comigo.

Olhando pro aspecto comercial, sei que seria uma escolha ruim para quem não quer perder poder de troca. O Civic é confiável, possui ótima reputação e continua sendo extremamente desejado no mercado de usados. Já o Compass, além de carregar dúvidas sobre seu histórico, teria uma revenda mais complicada e provavelmente precisaria ser negociado abaixo da tabela. Portanto, meu coração escolheria o jepão azul-marinho, mas minha razão mandaria continuar com o Civicão.

Um abraço procêis!

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