VOLVO XC60: UM SONHO QUE VIROU DOR DE CABEÇA

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Numa dessas tardes movimentadas, em que a UAI Veículos tem clientes chegando pelas beiradas, senta-se à mesa um homem de aparência tranquila e bastante educado. Ele estava ali para negociar seu Volvo XC60 2010, blindado e com aproximadamente 130 mil quilômetros rodados, com o nosso querido Pastor Evandro.

Durante a conversa, o proprietário explica que precisava vender o veículo para acertar algumas contas com seus credores. O problema é que a proposta apresentada pelo Pastor Evandro — equivalente a apenas 38% do valor da Tabela FIPE — ficou muito abaixo daquilo que ele esperava. Como ninguém chegou a um meio-termo, a negociação acabou não sendo fechada.

Mas o que faria um carro tão luxuoso, potente e desejado sofrer tamanha desvalorização na hora da revenda? Neste artigo, vamos conhecer melhor o Volvo XC60 2010, descobrir suas principais qualidades e entender por que o sonho de ter um SUV premium pode, em alguns casos, transformar-se em uma bela dor de cabeça.

BRINDADINHO

Cara, eu sempre tive curiosidade para entender como funciona um carro blindado. Na minha cabeça, o processo envolvia colocar enormes placas de aço ao redor do veículo, transformando-o numa espécie de tanque de guerra sobre rodas. A realidade, porém, é um pouco mais sofisticada — e também bem mais complicada.

Para realizar a blindagem, boa parte do interior do carro precisa ser desmontada. Revestimentos das portas, teto, colunas e bancos são retirados para que a empresa consiga instalar os materiais de proteção.

Reprodução – Carro Blindado sendo Montado – Google Imagens

Nas áreas opacas, como portas e colunas, normalmente são utilizadas mantas de aramida — material leve e muito resistente — combinadas com aço balístico nos pontos que exigem reforço. Os vidros originais são substituídos por conjuntos muito mais espessos, formados por diferentes camadas de vidro e polímeros. Portanto, não é apenas uma chapa de aço escondida dentro da porta: trata-se de um projeto desenvolvido especialmente para cada modelo de veículo. Arclin

E o carro fica inteiro blindado? Não exatamente no sentido literal. O objetivo é criar uma espécie de célula de proteção ao redor do habitáculo, que é o espaço onde ficam motorista e passageiros. Motor, suspensão e demais componentes mecânicos não ficam embrulhados em aço. Em uma blindagem bem executada, as áreas protegidas devem se encontrar e se sobrepor para evitar espaços desprotegidos entre portas, vidros e colunas. Ainda assim, a cobertura exata depende do projeto, do nível de proteção e da qualidade do serviço. É justamente por isso que a procedência da blindadora e a documentação do veículo são tão importantes.

Apesar do uso de materiais modernos, a blindagem acrescenta algumas centenas de quilos ao automóvel. Blindagens mais antigas costumam ser especialmente pesadas, pois empregavam maior quantidade de aço e vidros mais grossos. Isso significa que motor, câmbio, suspensão, pneus e freios passam a trabalhar constantemente com uma carga maior.

Reprodução – Blindagem no Vidro – Portal do

Mas será que o motor precisa ser mais forte? Tecnicamente, até um carro 1.0 pode receber blindagem, desde que o projeto seja compatível com sua estrutura e respeite a capacidade de carga determinada pelo fabricante. Isso não significa, porém, que seja uma boa combinação. Um motor pequeno terá mais dificuldade nas arrancadas, retomadas e subidas, enquanto o consumo de combustível tende a aumentar. O peso também influencia a estabilidade e exige mais do sistema de frenagem. Por isso, veículos maiores, com motores mais potentes e boa capacidade de carga, geralmente lidam melhor com a transformação.

Entre os defeitos mais conhecidos está a delaminação dos vidros, que aparece na forma de bolhas, manchas esbranquiçadas ou separação entre suas camadas. Também podem surgir ruídos internos, infiltrações, falhas nas máquinas dos vidros, desalinhamento das portas e desgaste das dobradiças. Como elas ficam muito mais pesadas, portas blindadas podem começar a ceder com o passar dos anos. Suspensão, amortecedores, buchas, pneus e freios também costumam sofrer desgaste mais rápido por causa da carga adicional.

No caso de um blindado antigo, não basta avaliar somente motor, câmbio e aparência. É preciso descobrir quem realizou o serviço, qual é o nível de proteção, se a documentação está regular, se os vidros ainda estão saudáveis e se houve alguma manutenção ou alteração posterior. Uma blindagem sem histórico pode esconder reparos caros — e a substituição de um conjunto de vidros, por exemplo, pode representar uma conta considerável.

Portanto, um carro blindado está longe de ser apenas um automóvel comum com vidros grossos. Ele oferece uma camada adicional de proteção, mas cobra por isso em peso, consumo, desempenho e manutenção. No caso deste Volvo XC60 2010, a potência e o porte ajudam a carregar a blindagem. O verdadeiro problema aparece quando juntamos um veículo premium, já com muitos anos de uso, a uma transformação igualmente cara de conservar. Aí aquele sonho de andar num Volvo blindado pode começar a explicar por que a proposta do Pastor Evandro foi tão cautelosa.

BALANÇA

PRÓS E CONTRAS DO VOLVO XC60

Entre os pontos positivos do Volvo XC60, o conforto parece ser praticamente uma unanimidade. Os bancos são frequentemente apontados pelos proprietários como alguns dos melhores da categoria, enquanto o acabamento interno, os materiais macios e a qualidade de construção reforçam aquela sensação de estar dentro de um verdadeiro carro premium. A condução confortável, a segurança, o bom desempenho e a estabilidade da tração integral também recebem muitos elogios. Mesmo depois de tantos anos, ainda é um SUV bonito, potente e capaz de proporcionar uma experiência muito acima da encontrada em diversos carros mais novos.

Interna do VOLVO XC60 2010 – Google Imagens

O lado negativo aparece principalmente quando alguma coisa quebra. A manutenção pode ser cara e complicada, especialmente pela dificuldade de encontrar peças e profissionais realmente preparados para trabalhar com o modelo. A central multimídia, o navegador e outros recursos eletrônicos também já eram considerados ultrapassados por alguns proprietários quando o carro ainda era relativamente novo. Em uma unidade antiga e blindada, a preocupação aumenta: além dos possíveis problemas eletrônicos e mecânicos, entram na conta os vidros, as portas mais pesadas e o desgaste adicional da suspensão. É o tipo de carro que pode entregar muito conforto quando está bom, mas também pode exigir muito dinheiro quando começa a dar problema.

É triste pensar que o sonho que tivemos um dia possa se transformar em frustração. Comprar um carro como esse certamente foi uma grande conquista para o proprietário, mas precisar vendê-lo por menos da metade da FIPE mostra como o mercado pode ser cruel com um veículo premium, antigo e blindado. Talvez seja exatamente por isso que essa negociação tenha terminado sem acordo: de um lado, um dono que conhece tudo o que o Volvo representa; do outro, um comerciante que sabe o tamanho do risco que está comprando.

Espero que tenha gostado da leitura. Te vejo amanhã!

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