QUANTO CADA CARRO DA CHEVROLET FOI FEITO PARA DURAR?

Hoje, logo pela manhã, acordei com um vídeo de um senhor falando sobre o erro da General Motors em colocar a correia banhada a óleo nos Chevrolet. Ele explicou que, em outro país, talvez funcionasse bem, mas, no Brasil, um país cuja cultura é não seguir o manual — aliás, SEQUER LER O MANUAL — parece que as coisas não caminharam bem.

Eu não posso reclamar da Chevrolet. Meu Corsa Classic 2011 segue firme na luta com seus 180 mil km rodados e, até o momento, não dá sinais de que vai desistir tão cedo. PS: meu Classic não é banhado a óleo, mas é GM.
Foi justamente isso que me despertou uma curiosidade: quantos quilômetros um motor Chevrolet consegue rodar antes de precisar ser feito?
Antes da lista, um aviso importante: a Chevrolet não determina que um motor deva ser retificado aos 200, 300 ou 400 mil quilômetros. Portanto, os números abaixo são faixas aproximadas, e não limites estabelecidos pela fabricante.
A vida de qualquer motor depende principalmente da manutenção. Trocas de óleo, sistema de arrefecimento, correia dentada e até a maneira como o carro foi utilizado podem fazer dois veículos iguais envelhecerem de maneiras completamente diferentes.
CORSA E CLASSIC — CERCA DE 250 A 350 MIL KM
Comecemos pelo guerreiro que está na minha garagem.

Corsa e Classic utilizam motores de uma família extremamente conhecida pelas oficinas brasileiras. São conjuntos relativamente simples, com peças disponíveis e manutenção barata. A própria Quatro Rodas descreve o Classic como robusto e confiável, destacando também a facilidade dos reparos.
O principal cuidado está na manutenção preventiva. Nos motores VHC, por exemplo, negligenciar correia dentada e tensionador pode provocar danos sérios ao motor.
Com manutenção correta, 250 a 350 mil km antes de uma grande intervenção é uma expectativa plausível, embora não exista garantia de que determinada unidade alcançará essa quilometragem.
Meu Classic, aos 180 mil, aparentemente ainda tem estrada pela frente.
CELTA E PRISMA — CERCA DE 250 A 300 MIL KM

Celta e as primeiras gerações do Prisma seguem praticamente a mesma escola mecânica do Corsa, com motores aspirados, relativamente simples e que, depois de tantos anos no mercado, são conhecidos por praticamente qualquer oficina. Essa simplicidade ajuda a explicar por que ainda encontramos tantos exemplares rodando diariamente: quando bem cuidados, podem ultrapassar os 250 mil km e chegar aos 300 mil km sem necessidade de uma retífica completa.
Evidentemente, não existe uma quilometragem garantida, principalmente quando falamos de carros com 15 ou 20 anos de uso. Nessa idade, mais importante do que olhar apenas para o número exibido no painel é descobrir como aquele veículo foi tratado ao longo da vida, porque um Celta com 280 mil km e manutenção rigorosa pode estar em condições muito melhores do que outro com 150 mil km que passou anos sendo negligenciado.
ASTRA E VECTRA — CERCA DE 300 A 400 MIL KM
Se existe uma dupla que construiu fama de resistência dentro da antiga GM, provavelmente estamos falando de Astra e Vectra.
O conhecido 2.0 8V é um projeto antigo, mas justamente essa simplicidade contribuiu para sua reputação. Ao falar do Astra Sedan, a Quatro Rodas destaca sua mecânica como robusta, confiável e de reparação relativamente simples. No caso do Vectra GT, a revista também ressalta a confiabilidade do antigo 2.0 8V.

Por isso, 300 a 400 mil km é uma faixa razoável para exemplares muito bem conservados.
E a reputação entre proprietários permanece forte: atualmente, o Vectra registra média 8,8/10 em 113 avaliações, enquanto o Astra aparece com 8,7/10 em 157 avaliações no Carro Club.
O consumo provavelmente incomodará antes da durabilidade do motor.
COBALT E SPIN 1.8 — CERCA DE 250 A 350 MIL KM
Cobalt e Spin mantiveram por bastante tempo aquela filosofia mais tradicional da Chevrolet.
O conhecido motor 1.8 não impressiona pela tecnologia, mas possui uma enorme vantagem quando envelhece: não é uma mecânica exótica para o reparador brasileiro.

Mantendo lubrificação e principalmente o sistema de arrefecimento em dia, considero razoável utilizar 250 a 350 mil km como referência para uma unidade saudável antes da necessidade de uma grande intervenção no motor.
ONIX DE PRIMEIRA GERAÇÃO — CERCA DE 250 A 350 MIL KM
É importante separar o Onix antigo do atual.

O Onix lançado em 2012 ainda utilizava os tradicionais motores 1.0 e 1.4 de quatro cilindros. Portanto, não estamos falando do conjunto de três cilindros com correia banhada a óleo que hoje provoca tanta discussão.
Pela simplicidade do projeto e pelo histórico desses motores, a faixa de 250 a 350 mil km é uma referência razoável para unidades com manutenção correta.
ONIX, TRACKER E MONTANA ATUAIS
Aqui a história muda.
Os motores mais recentes da família Chevrolet introduziram a famosa correia dentada banhada a óleo. E existe uma informação importante no meio de toda a polêmica: a própria Chevrolet prevê 240 mil km para a troca da correia e ampliou sua garantia para essa quilometragem, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas pela fabricante.
O problema está justamente na manutenção.

Utilizar um óleo que tenha apenas a viscosidade correta não necessariamente significa utilizar o óleo correto. A especificação e os aditivos precisam ser compatíveis com a correia. Lubrificantes inadequados podem deteriorar o componente e provocar consequências muito mais caras.
Isso ajuda a explicar o argumento do vídeo que originou este artigo: um sistema mais sensível à manutenção encontra no Brasil um mercado acostumado a carros antigos muito mais tolerantes a descuidos.
Ao mesmo tempo, também seria injusto afirmar que todo Chevrolet com correia banhada a óleo terá problema. No teste de Longa Duração da Quatro Rodas, um Onix Plus percorreu 100 mil km, seguindo corretamente as revisões, e não apresentou problemas relacionados à correia.
A linha 2026 ainda recebeu uma correia modificada e mais resistente, mantendo a previsão de 240 mil km para o componente.
Para dizer se esses motores chegarão aos 300 ou 400 mil km como alguns antigos GM, porém, precisamos de mais tempo e uma frota envelhecida maior.
S10 DIESEL — 300 MIL KM OU MAIS
A S10 merece tratamento separado porque um motor diesel de picape trabalha em condições diferentes das de um pequeno motor 1.0.
Uma S10 bem mantida pode passar de 300 mil km sem que esse número, isoladamente, represente o fim da vida do motor.

Também existem muitos veículos diesel que trabalham pesado e acumulam quilômetros rapidamente. Por isso, novamente, histórico de manutenção é fundamental.
OS 3 CHEVROLET MAIS BEM AVALIADOS PELOS PROPRIETÁRIOS

Para não escolher simplesmente três carros dos quais eu gosto, fui atrás das avaliações publicadas por proprietários.
Entre os modelos pesquisados com uma quantidade relevante de avaliações no Carro Club, Vectra e Astra se destacaram: o Vectra tem média 8,8 em 113 avaliações e o Astra, 8,7 em 157.
Como terceiro nome, eu destacaria o Corsa/Classic não pela maior nota geral da plataforma — atualmente o Corsa Classic aparece com 7,7 em 75 avaliações — mas pelo histórico de simplicidade, disponibilidade de peças e baixo custo de manutenção. A Quatro Rodas também classifica o Classic como robusto e confiável.
Portanto, meu trio de destaque fica assim: Vectra, Astra e Corsa/Classic, mas por critérios diferentes, e não como uma comparação científica de durabilidade.
A CHEVROLET ANTIGA DURAVA MAIS?
Ainda não dá para afirmar isso.
A diferença é que já tivemos décadas para descobrir até onde um Corsa, Astra ou Vectra consegue chegar. Os atuais três-cilindros ainda precisam envelhecer para que possamos fazer uma comparação justa.
Uma coisa, porém, continua valendo para qualquer geração:
o melhor motor não é necessariamente aquele que aguenta mais quilômetros, mas aquele que recebe a manutenção necessária para chegar até eles.
E enquanto isso, meu Classic segue sua caminhada com seus modestos 180 mil km.
Vamos ver até onde ele chega.
