Parei de postar no TikTok — e outra pessoa começou a publicar meus vídeos

Existe uma situação particularmente frustrante para qualquer criador de conteúdo: ver alguém utilizando o seu trabalho sem autorização. Porém, no meu caso, a história conseguiu ficar ainda mais absurda.

Meu nome é Carlos Eduardo Bonifácio Figueiredo, sou criador de conteúdo e atualmente estou praticamente impedido de utilizar normalmente minha própria conta no TikTok por medo de perder a monetização.
Nos últimos tempos, minha conta acumulou quatro advertências dentro da plataforma. Hoje estou a apenas uma nova penalização de possivelmente perder minha monetização, algo que me fez tomar uma decisão que jamais imaginei que precisaria tomar: simplesmente parar de publicar no TikTok enquanto tento resolver o problema.
O mais irônico é o que aconteceu depois. Enquanto eu deixei de publicar justamente para proteger minha conta, um perfil que venho denunciando passou a pegar vídeos que publico em minhas outras redes sociais e repostá-los no TikTok. Ou seja, eu, que produzo e apareço no conteúdo, estou com receio de postar. Enquanto isso, outra pessoa utiliza esses mesmos vídeos dentro da plataforma.
Não são simples cópias
Não estamos falando de vídeos genéricos encontrados na internet ou de algum conteúdo cuja origem seja difícil de determinar. Eu apareço nos vídeos utilizados e sou responsável pela narração deles. Além disso, possuo minhas páginas oficiais em outras plataformas, onde esses conteúdos também são publicados e onde é possível acompanhar meu trabalho.
A situação chegou a um ponto tão estranho que os poucos vídeos que permaneceram no meu perfil do TikTok são justamente aqueles em que apareço pedindo ajuda às pessoas para denunciarem o perfil que está utilizando meus conteúdos. Enquanto isso, eu evito novos vídeos porque qualquer nova advertência pode colocar em risco algo que levei meses para conquistar.
Talvez para quem esteja olhando de fora pareça apenas mais uma briga entre perfis de internet. Para quem trabalha produzindo conteúdo, entretanto, a situação é muito mais séria. Existe tempo de gravação, edição, roteiro, narração e construção de uma audiência. Quando outra pessoa simplesmente pega esse material e começa a utilizá-lo, o prejuízo não é apenas financeiro. Existe também um problema de identidade e de confiança com o público.

O grupo de WhatsApp tornou tudo mais difícil
Durante esse processo, encontrei outro elemento que aumentou minha preocupação. O perfil denunciado mantinha um grupo de WhatsApp divulgado na própria descrição do canal. Como eu precisava entender o que estava acontecendo, entrei nesse grupo e tentei fazer contato diretamente com a pessoa responsável.
Enviei uma mensagem questionando a utilização dos meus conteúdos. A resposta não veio por meio de uma explicação ou tentativa de resolver o problema. Fui bloqueado. Posteriormente, o grupo que estava divulgado na descrição do perfil também foi retirado.
Registrei o que aconteceu e guardei capturas de tela, mensagens e outras provas. Todo esse material passou a fazer parte das denúncias que encaminhei ao TikTok. Não cabe a mim determinar sozinho o enquadramento jurídico da situação, mas considero importante que a plataforma analise a autoria dos vídeos e um possível uso não autorizado dos meus conteúdos.
O que mais me incomoda é que, aparentemente, denunciar pela ferramenta convencional do aplicativo não tem sido suficiente. Já realizei diversas denúncias e continuo vendo uma situação em que preciso ter medo de utilizar meu próprio perfil enquanto os conteúdos que produzo continuam aparecendo em outra conta.

Por que eu preciso provar que sou eu?
Existe algo profundamente errado quando chegamos ao ponto em que o autor de um conteúdo precisa reunir arquivos originais, datas, projetos de edição, páginas em outras redes sociais e capturas de tela para provar que é ele mesmo quem produz aquilo que está sendo publicado.
Não tenho problema algum em apresentar essas provas. Tenho os vídeos, apareço neles, faço a narração e possuo um histórico público de publicação nas minhas redes oficiais. O problema é precisar passar por todo esse processo enquanto minha conta permanece sob risco de uma nova advertência.
Por isso decidi também tornar esse caso público através deste artigo. Não estou pedindo nenhum tipo de privilégio do TikTok. Estou pedindo algo muito mais simples: uma análise humana e séria das provas apresentadas.
Quero que seja analisado quem produziu os vídeos, onde eles foram publicados originalmente, quem aparece no material, quem realiza a narração e qual perfil está reproduzindo esses conteúdos. Também gostaria que o histórico das advertências aplicadas à minha conta fosse revisto dentro desse contexto.
Criadores de conteúdo dependem das plataformas, mas as plataformas também dependem de pessoas dispostas a produzir conteúdo para elas. Quando o sistema consegue chegar ao ponto de fazer o criador original ter medo de publicar enquanto outra conta continua utilizando seu trabalho, alguma coisa precisa ser revista.
Minha estratégia de conteúdo também está mudando
Enquanto essa situação não se resolve, comecei a mudar a minha estratégia de conteúdo. Tenho direcionado mais atenção para publicações no Facebook e pretendo iniciar uma nova fase com vídeos cada vez mais originais, produzidos por mim desde a ideia até a gravação.

A intenção é construir um conteúdo que tenha cada vez mais a minha identidade, minha opinião e minha presença, reduzindo a dependência de formatos que possam gerar esse tipo de problema. É uma mudança que talvez leve algum tempo para amadurecer, mas que também pode representar uma nova fase para o meu trabalho nas redes sociais.
Até que isso aconteça, continuo praticamente sem publicar no TikTok. Não porque fiquei sem vídeos, não porque abandonei meu trabalho e muito menos porque não quero continuar produzindo. Parei porque estou a uma advertência de perder minha monetização.
E talvez essa seja a parte mais absurda de toda essa história: hoje, quem tem medo de publicar os meus vídeos no TikTok sou eu.
