Quanto custa ter um carro exclusivo? Jaguar XF impressiona, mas custa caro

No meio do “pega pa capá” diário vivido pela UAI Veículos, com centenas de pessoas transitando por lá e todo tipo de automóvel chegando, um rapaz educado e de semblante leve apareceu para oferecer seu carro ao pastor Evandro. A intenção era clara: vender o veículo e sair com o dinheiro à vista. Logo no início da conversa, o pastor quis saber quais eram suas pretensões e, principalmente, quanto ele queria pelo lindo Jaguar XF 2017.
Segundo o proprietário, o sedã ainda escondia uma “cerejinha do bolo”, embora os detalhes dessa possível surpresa não tenham sido revelados. Entretanto, o que chamou a atenção de verdade não foi nenhum equipamento especial, preparação mecânica ou acabamento diferenciado, mas o preço pedido pelo carro.
Com a referência de cerca de R$ 150 mil citada na negociação, o dono colocou sobre a mesa a bagatela de R$ 200 mil. A justificativa para os R$ 50 mil adicionais estava na cor exclusiva do Jaguar, feita sob encomenda e que, segundo ele, só ele tinha.
Bonito e imponente, o XF realmente impressiona por onde passa. A questão é saber se uma pintura exclusiva seria suficiente para fazê-lo valer tanto assim — principalmente diante de um negociante experiente como o pastor Evandro.
Preço
Na busca feita em 19 de agosto de 2026 na Webmotors, portal que acabou se tornando uma das principais referências do mercado automotivo — e, se tudo der certo, este blog ainda seguirá pelo mesmo caminho —, encontrei anúncios do Jaguar XF 2017 com preços entre R$ 117 mil e R$ 135 mil. É importante lembrar que esses são valores pedidos pelos proprietários e pelas lojas, não necessariamente os preços finais de venda. Essa amostra não representa todas as versões do XF: para avaliar os R$ 200 mil pedidos, é preciso comparar versão, estado de conservação e histórico, não apenas o ano do carro.
Atualização de 17/09/2026: a consulta da Webmotors à Tabela Fipe informa R$ 132.127 para o XF 2.0 Prestige 2017, código 016047-4, em setembro de 2026. É uma referência específica, não uma avaliação do carro do vídeo, cuja versão exata não foi confirmada. O print abaixo permanece como registro da pesquisa de agosto.

Maquinão

Fabricado na tradicional planta da Jaguar Land Rover em Castle Bromwich, na Inglaterra, o Jaguar XF 2017, na configuração 2.0 a gasolina descrita aqui, utiliza motor 2.0 turbo a gasolina, com injeção direta, 240 cv de potência e 340 Nm de torque — equivalentes a aproximadamente 34,7 kgfm. O conjunto trabalha com o câmbio automático ZF 8HP45, de oito velocidades, responsável por trocas suaves e rápidas.
Seu chassi emprega cerca de 75% de alumínio, solução que reduz o peso e aumenta a rigidez estrutural, enquanto a distribuição próxima de 50:50 entre os eixos favorece o equilíbrio, a estabilidade e o comportamento esportivo do sedã.

Em 2026, compensa?
O principal ponto negativo do Jaguar XF não está necessariamente em sua mecânica, mas no custo de tudo o que existe ao redor dela. Por ser um sedã importado, sofisticado e vendido em pequeno volume no Brasil, peças de reposição podem ser caras e demoradas para chegar, enquanto a mão de obra realmente especializada não é encontrada em qualquer oficina. Pneus, componentes de suspensão, freios, sensores e reparos na carroceria de alumínio também podem render contas dignas de um automóvel que custava uma fortuna quando era novo.
Outro problema é a baixa liquidez. A exclusividade que torna o XF tão interessante também reduz bastante o número de pessoas dispostas a comprá-lo posteriormente. Sua desvalorização é elevada, e acessórios ou pinturas personalizadas dificilmente acrescentam ao preço tudo aquilo que o proprietário investiu — em alguns casos, podem até afastar compradores. Na pesquisa original, encontrei pedidos bem menores que os R$ 200 mil desejados pelo dono do carro apresentado na UAI Veículos, mas a diferença de versão precisa entrar nessa conta.
Enfim, mesmo que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar esse maquinão, não o levaria para casa. O Jaguar XF impressiona pelo visual, pelo desempenho e pela exclusividade, mas seus elevados custos de manutenção e sua baixa liquidez fariam meu lado racional falar mais alto.
Até o próximo post.
