Monetizar no TikTok: por que eu desisti depois de quatro meses

Prazer, sou Carlos Eduardo, tenho 32 anos e alguns canais no YouTube. Lamento dizer que, se você chegou até aqui cheio de esperança, provavelmente vou desanimá-lo um pouco. Depois de ouvir muito, mas muito bem mesmo, sobre o TikTok e sobre como a plataforma supostamente pagava mais do que as outras redes sociais, resolvi entrar nesse mundo. Hoje venho contar o quão triste foi a minha experiência por lá e por que, depois de alguns meses insistindo, resolvi simplesmente desistir daquela rede social.

Para contextualizar a parada, eu faço cortes do meu Malvado Favorito, o pastor Evandro, da famosa UAI Veículos. Comecei a produzir esses cortes em abril deste ano e, apesar de já gostar bastante de editar vídeos, dessa vez resolvi levar o trabalho realmente a sério.
Passei a editar diariamente, trabalhar os vídeos, criar efeitos, animações e ilustrações dos carros que apareciam nas negociações. Alguns meses depois, cá estou eu, chorando as pitangas para vocês e contando como uma plataforma que parecia extremamente promissora conseguiu se transformar em uma das maiores frustrações desse trabalho.
O TikTok e seu algoritmo maravilhoso — só que não
Sem dúvidas, na minha experiência, o TikTok possui o algoritmo mais injusto de todas as plataformas. Ele não parece se importar se você é um postador assíduo, se passa horas trabalhando em uma edição ou se aquilo que produziu possui uma qualidade técnica enorme. Se você fizer um vídeo fazendo suas necessidades essenciais e o povo assistir, pronto: aparentemente aquele vídeo tem qualidade. Para a plataforma, no fim das contas, o que importa é o comportamento de quem está do outro lado da tela.

Agora imagine que você faça um vídeo ensinando uma teoria revolucionária que contrapõe a teoria da relatividade. Provavelmente o povo da Macedônia (entenda-se povo brasileiro) vai simplesmente passar para o próximo vídeo e, consequentemente, aquele conteúdo será tratado como algo de pouco valor. Se bem que, pensando melhor, talvez isso diga mais sobre o povo do que sobre a própria plataforma. De qualquer forma, foi justamente convivendo com essa lógica que comecei a perceber que esforço e resultado nem sempre andavam juntos por ali.
Antes de contar o verdadeiro motivo que me levou a escrever palavras tão amargas sobre o TikTok, preciso aproveitar a oportunidade para desmentir uma das maiores ilusões que eu tinha antes de começar: a de que a plataforma paga muito bem pelos vídeos. Pelo menos na minha experiência, não foi isso que aconteceu. O valor pago por mil visualizações, o famoso RPM, pode variar de um vídeo para outro. Minha curta experiência na plataforma monetizou vídeos entre 2 e 07 centavos de dólar. Qual é exatamente a métrica utilizada para associar determinado valor a cada vídeo? Só Deus sabe.
E foi justamente essa fama de boa monetização que me fez insistir tanto em chegar até ela. Para quem não sabe, hoje, em 2026, para monetizar uma conta no TikTok é necessário ter 10 mil seguidores e, no mínimo, 100 mil visualizações recentes. Chegar aos 10 mil seguidores não foi uma tarefa simples e exigiu meses de trabalho e publicação constante. O problema é que alcançar o número necessário de seguidores seria apenas a primeira dificuldade de uma história que ainda ficaria bem mais complicada.

Quatro meses tentando conseguir a monetização
Depois que finalmente alcancei os 10 mil seguidores, tive meu pedido de monetização negado duas vezes pelo TikTok. O motivo era relativamente simples: o algoritmo reconhecia os trechos dos cortes e entendia que aquele material não era suficientemente original. Não importava muito que os vídeos fossem editados, contextualizados, tivessem animações, ilustrações dos carros negociados, filtros e efeitos. No final das contas, o TikTok acabava classificando aquele trabalho como uma espécie de cópia dos vídeos do pastor Evandro.
Foi aí que resolvi mudar completamente de estratégia. Apaguei todos os vídeos que estavam publicados no canal e continuei produzindo os cortes que já editava diariamente, mas passei a colocar praticamente o dobro de filtros e efeitos. Se a plataforma queria transformação, eu tentaria entregar ainda mais transformação. Continuei trabalhando dessa maneira, publicando e tentando provar para o algoritmo que aquilo não era simplesmente pegar um vídeo pronto e republicá-lo.
Depois de quatro meses de canal, finalmente consegui monetizar a conta. Depois de toda a dificuldade para alcançar os seguidores necessários, das duas negativas e da mudança na forma como eu editava os vídeos, parecia que finalmente o trabalho começaria a fazer algum sentido dentro da plataforma. A sensação era de que eu tinha vencido a parte mais complicada da história. O problema é que, na verdade, eu só ainda não tinha chegado à pior parte.
Com o passar do tempo, comecei a receber avisos informando que alguns dos meus vídeos estavam sendo desmonetizados. Eram justamente os cortes que eu fazia do pastor Evandro e das negociações da UAI Veículos, trabalhados da mesma maneira que eu vinha fazendo desde que consegui entrar no programa de monetização. A situação começou a ficar tão desagradável que publiquei um vídeo no próprio TikTok dizendo que talvez não voltasse mais a postar por lá, porque meus conteúdos estavam caindo constantemente.
Uma pessoa chegou a comentar nesse vídeo que talvez alguém estivesse denunciando meu conteúdo. Naquele momento, achei pouco provável que esse fosse realmente o motivo, então não dei tanta importância para aquela possibilidade. Até então, para mim, aquilo parecia apenas mais uma daquelas decisões difíceis de compreender tomadas pela própria plataforma. Só que alguns acontecimentos posteriores tornaram toda a história ainda mais estranha e acabaram sendo o empurrão definitivo para que eu desistisse.
O problema que me fez desistir do TikTok
No dia 07/09/2026, encontrei a página de uma pessoa que havia copiado alguns dos meus vídeos que melhor performaram nas plataformas vizinhas. Essa pessoa também havia criado um grupo no WhatsApp, então entrei no grupo e mandei uma mensagem diretamente para ela. Não tivemos exatamente uma grande conversa sobre o assunto porque a resposta que recebi foi bastante simples: fui bloqueado. Até aquele momento, porém, isso ainda era apenas mais um problema para colocar na conta.

Um dia depois, recebi quatro advertências relacionadas a vídeos antigos que já estavam publicados no meu canal e, como consequência, perdi minha monetização. Não tenho como afirmar que uma coisa provocou a outra, mas essa foi a sequência dos acontecimentos. Depois de meses trabalhando para chegar aos 10 mil seguidores, tendo dois pedidos recusados, apagando tudo, aumentando os filtros e efeitos e finalmente conseguindo monetizar, quatro advertências em conteúdos antigos foram suficientes para colocar um ponto final nessa história.

Procurei o suporte do TikTok — se é que podemos chamar aquilo de suporte — e abri um chamado tentando entender a situação. Também denunciei a página que estava copiando meus vídeos, mas minhas denúncias não foram aceitas e o chamado que fiz não recebeu resposta. É difícil explicar a sensação de trabalhar durante meses para atender às exigências de uma plataforma e, quando finalmente alguma coisa dá errado, perceber que você praticamente não consegue conversar com ninguém para entender o que aconteceu.

Talvez, se o invejoso que me prejudicou soubesse que ele próprio nunca vai ser monetizado dessa maneira, não estivesse me prejudicando dessa forma. De qualquer maneira, independentemente de quem fez ou deixou de fazer alguma coisa, minha experiência com o TikTok chegou a um ponto em que não tenho mais vontade de continuar insistindo. Foram quatro meses até conseguir monetizar, duas reprovações, mudanças na edição, vídeos desmonetizados e, finalmente, quatro advertências que acabaram com a monetização que eu tinha conseguido.
Então, se você chegou a este artigo procurando uma fórmula mágica sobre como monetizar no TikTok, infelizmente minha história não termina com uma grande técnica secreta ou com uma promessa de dinheiro fácil. Eu consegui chegar à monetização, passei pelo processo e também descobri como é fácil ver tudo aquilo desaparecer. Depois de ouvir durante tanto tempo que o TikTok era uma plataforma maravilhosa para ganhar dinheiro com vídeos, minha conclusão pessoal acabou sendo exatamente o contrário.
Enfim, eu desisto daquela rede social. Depois de tudo isso, não tenho uma grande lição motivacional para colocar no final e muito menos quero fingir que essa experiência terminou de uma forma bonita. É isso, senhores. Um abraço e até a próxima.
