Meia Fipe: Land Rover com luz do combustível acesa é colocada à mesa por R$ 55 mil

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Quando uma Land Rover Discovery 2016 chega à mesa de negociação com uma FIPE de R$ 104 mil, a primeira impressão é de que existe muito espaço para fazer um bom negócio. Mas, no mercado de usados, a tabela é apenas o ponto de partida. Se há problema mecânico, a conversa muda — e muda bastante.

Foi exatamente isso que aconteceu em uma das negociações conduzidas pelo pastor Evandro, da UAI Veículos.

De um lado, uma Land Rover Discovery 2016, diesel, com potência reduzida e luz de injeção acesa, segundo as informações apresentadas durante a negociação. Do outro, um GM Cruze, considerado pelo cliente como o carro que gostaria de levar para casa.

No papel, os números pareciam relativamente próximos. Na prática, havia uma distância de R$ 30 mil entre os dois veículos.

E foi aí que começou o verdadeiro fogo cruzado.

UMA DISCOVERY DE R$ 104 MIL QUE PRECISAVA SER OLHADA ALÉM DA FIPE

A primeira informação que chama atenção é o valor de referência da Land Rover.

A Discovery 2016 aparece na negociação com FIPE de R$ 104 mil. É um número que, isoladamente, poderia fazer o proprietário imaginar uma avaliação bastante superior à que acabou recebendo.

Mas havia um detalhe importante: a Discovery não estava sendo apresentada como um veículo sem ressalvas.

Durante a negociação, foi informado que o SUV é diesel, apresentava potência reduzida e tinha a luz de injeção/motor acesa. Para quem conhece o mercado de veículos usados, esses detalhes são suficientes para entender por que a conversa não poderia ser baseada simplesmente nos R$ 104 mil da tabela.

Uma coisa é o valor de referência de um veículo em determinadas condições de mercado. Outra é quanto uma revenda está disposta a assumir por aquele carro sabendo que poderá precisar diagnosticar e solucionar um problema antes de colocá-lo novamente à venda.

Foi nesse cenário que Evandro colocou a primeira avaliação na mesa: R$ 52 mil.

A diferença impressiona.

São R$ 52 mil abaixo da FIPE, ou exatamente metade do valor de referência apresentado na negociação.

Para o proprietário, naturalmente, é um número difícil de ouvir. Afinal, quem olha apenas para a tabela enxerga um carro de R$ 104 mil.

Para a loja, entretanto, existe outra conta sendo feita.

O QUE REALMENTE ESTÁ POR TRÁS DE UMA AVALIAÇÃO DE R$ 52 MIL?

É justamente aqui que a negociação fica mais interessante.

Uma loja não compra apenas um carro. Ela compra também o risco daquele carro.

No caso da Discovery, o problema relatado de perda de potência e a luz de injeção acesa podem representar desde algo relativamente simples até um reparo de maior complexidade. Sem diagnóstico e sem conhecer o custo efetivo da solução, a revenda precisa trabalhar com uma margem de segurança.

E esse é um dos motivos pelos quais FIPE e valor de troca podem ser tão diferentes.

A tabela ajuda a estabelecer uma referência. Mas quem compra profissionalmente precisa pensar no carro que entrará no estoque, no custo de preparação, em eventuais reparos, no tempo necessário para a revenda e, principalmente, no risco de aparecer uma despesa inesperada.

É uma diferença fundamental entre perguntar “quanto vale esse carro?” e perguntar “quanto esse carro vale para esta negociação, neste estado e assumindo estes riscos?”

UM POUCO SOBRE A LAND ROVER DISCOVERY 2016

A Discovery ocupa uma posição bastante particular no mercado.

É um SUV de perfil premium, com porte, conforto e uma proposta muito diferente de um sedã convencional. A motorização diesel também faz parte da identidade do modelo e pode ser um atrativo para determinados compradores.

Imagem Revista Quatro Rodas

Por outro lado, veículos premium mais antigos exigem uma análise cuidadosa quando entram em uma negociação.

O custo de manutenção, a disponibilidade de peças, a complexidade dos sistemas eletrônicos e mecânicos e o perfil de quem procura esse tipo de veículo podem influenciar diretamente sua liquidez.

Por isso, uma Discovery pode ter uma excelente relação entre equipamentos e preço para o consumidor final e, ao mesmo tempo, exigir bastante cautela de uma loja na hora da compra.

Nessa negociação, esse contraste aparece de maneira muito clara.

E O CRUZE?

Do outro lado da mesa está o Chevrolet Cruze, com valor apresentado de R$ 85 mil.

Enquanto a Discovery representa um SUV premium, mais sofisticado e com uma questão mecânica a ser considerada, o Cruze entra na negociação como um veículo de proposta mais convencional e com um mercado diferente.

Imagem/Auto esporte Carros

O valor de R$ 85 mil apresentado na negociação é o número que determina toda a matemática da troca.

E, nesse momento, a pergunta deixa de ser “quanto vale a Discovery na FIPE?” e passa a ser:

Quanto falta para sair da Discovery e chegar ao Cruze?

A resposta, inicialmente, parecia pesada para o cliente.

DE R$ 52 MIL PARA R$ 55 MIL: A NEGOCIAÇÃO COMEÇA A MUDAR

A negociação, porém, continuou. E foi justamente nesse momento que os números começaram a mudar. A avaliação inicial da Land Rover Discovery, fixada em R$ 52 mil, acabou sendo revista e subiu para R$ 55 mil — um reconhecimento de R$ 3 mil a mais pelo veículo.

Pode parecer uma diferença pequena diante de uma negociação que envolvia valores superiores a R$ 80 mil, mas, em uma conversa de compra e troca, esse tipo de ajuste pode ter um impacto importante. Muitas vezes, alguns milhares de reais representam a diferença entre encerrar a negociação ou encontrar um ponto em comum para que ela avance.

Com a nova avaliação, a diferença entre os veículos também mudou. Considerando os R$ 85 mil atribuídos ao Cruze e os R$ 55 mil reconhecidos pela Discovery, o valor a ser compensado passou de R$ 33 mil para R$ 30 mil.

R$ 85 mil do Cruze – R$ 55 mil da Discovery = R$ 30 mil de diferença.

A partir dali, esse passou a ser o principal número da negociação: os R$ 30 mil que separavam os dois veículos e que precisavam ser ajustados para que um acordo pudesse, de fato, ser fechado.

A PARTE MAIS HUMANA: QUANDO A MATEMÁTICA ENCONTRA A REALIDADE

É nesse momento que a negociação deixa de ser apenas uma conta de calculadora.

Há o interesse do cliente em sair com outro carro. Há a necessidade da loja de não assumir um risco acima do que considera razoável. Há a expectativa de cada lado sobre quanto vale aquilo que está oferecendo.

Evandro precisa defender o valor da compra sem perder a possibilidade de fechar negócio. O cliente, por sua vez, precisa decidir até onde consegue ir.

No fim, a solução encontrada foi parcelar a diferença.

A condição apresentada ficou em:

R$ 15 mil de entrada + 3 parcelas de R$ 5 mil.

Ou seja, os R$ 30 mil de diferença foram divididos de uma forma que tornou o negócio mais viável para o comprador.

É uma solução que mostra algo muito presente nas negociações de veículos: às vezes, o negócio não acontece porque um dos lados simplesmente “abaixa o preço”. Ele acontece porque as condições são ajustadas até que os dois lados consigam conviver com a proposta.

QUEM FEZ O MELHOR NEGÓCIO?

Essa é talvez a pergunta que mais desperta curiosidade.

Olhando somente para os números apresentados na negociação, o cliente conseguiu melhorar a avaliação da Discovery de R$ 52 mil para R$ 55 mil e transformar uma diferença inicial de R$ 33 mil em R$ 30 mil.

Ao mesmo tempo, a UAI Veículos não precisou ignorar os riscos associados ao SUV e manteve uma margem de segurança diante dos problemas apresentados.

Não seria correto afirmar que alguém “ganhou” simplesmente porque um valor ficou maior ou menor.

O verdadeiro ponto é outro: a negociação encontrou um número em que os dois lados aceitaram seguir em frente.

E talvez seja justamente isso que torna esse tipo de negociação tão interessante.

A FIPE apresenta um número. O proprietário tem sua expectativa. A loja tem sua avaliação. E, entre esses três pontos, existe uma conversa.

QUANDO A FIPE NÃO É O PREÇO FINAL

A negociação da Discovery com o Cruze deixa uma lição importante para quem pretende comprar, vender ou trocar um veículo.

Tabela FIPE não é sinônimo de valor de troca.

Ela pode ser uma excelente referência, mas não substitui uma avaliação presencial e, principalmente, não elimina os riscos envolvidos quando o veículo apresenta problemas.

Uma Discovery de R$ 104 mil na tabela, com sinais de falha mecânica, pode ter uma realidade completamente diferente de uma unidade em perfeito funcionamento.

E é justamente nessa diferença que o trabalho de uma revenda aparece.

No final, o negócio ficou desenhado com uma Discovery avaliada em R$ 55 mil, um Cruze de R$ 85 mil e R$ 30 mil de diferença, pagos com R$ 15 mil de entrada e três parcelas de R$ 5 mil.

Mas os números são apenas metade da história.

A outra metade está na conversa, nas expressões, nas tentativas de chegar a um acordo e na hora em que cada lado precisa decidir se aquele é, de fato, o melhor negócio possível.


Quer ver o fogo cruzado completo?

Se você chegou até aqui….

Obrigado pela leitura. Espero te ver de novo em breve!

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